sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cuidado com o verme!

Se pudesse, juro que te usava com ornamento para poder arremessar os restos de bacalhau que tenho nas entranhas dos dentes. Desagrada-me o facto de os ter aqui pendurados: parecem as fitas da árvore de Natal quando ainda estão bem frescas e acabadinhas de colocar.
A propósito, ainda hoje destilei meia dúzia de dentes meus; não, não foi com lixívia mas sim com vermes que estavam dentro da minha pança suja e escarlate: tal como entraram, saíram também, mas tenho uma ligeira sensação de que a velocidade não foi idêntica: saíram mais depressa; entraram mais devagar. Talvez não estivessem bem acomodados e resolveram chamar o Gregório para lhes dar um melhor fim que não o de saírem sob a forma de excremento.
Já passou cerca de uma hora desde a sua saída e nem por isso sinto saudades deles. Ficaram tão bonitinhos ali no chão da banheira.
Pê Ésse: continúo com os mesmos seios brancos e triangulares de ontem. Quando olho para eles, eles sorriem-me e eu esborracho-os com as minhas grandes e gordas mãos: quase parecem duas tangerinas podres ali no meio das minhas mãos calejadas.
Julgavas o quê, que os meus seios eram dois faróis? Lamento informar, mas estavas enganado.

2 comentários:

Letra S disse...

amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto.

as velas ardem ate ao fim disse...

Fantastico!Adorei.