
Ontem fizeste a pergunta mais infantil. Eu sempre gostaria de a ter feito a muitas pessoas; por vergonha ou outra razão qualquer (que não interessa agora), não fiz. Ficou-me sempre cravada na alma, como se tivesse fosse um ponto de interrogação sem vogais nem consoantes. Talvez por isso hoje faça perguntas demais e a mais. Acho que regredi e voltei à “idade dos porquês”. Sim, deve ser isso.
Ontem fizeste a pergunta mais infantil:
Quem é o teu melhor amigo? Ou será que devia dizer, melhor amiga?
Respondi. Não te ia deixar plantado como as flores que tens no jardim que já morrem de sede. Todas as crianças merecem uma resposta, por muito grotesca que seja.
A minha melhor amiga é a minha casa.
E o que seria de uma pergunta sem uma pergunta adicional? Devolvi-te, portanto, uma pergunta: também tens uma melhor amiga?
Como não sou nenhuma criança que faz questões infantis, achas-te que não merecia resposta. Achaste bem.




