sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

afinal,

Afinal, estás em casa. Já estás deitada, debaixo dos lençóis quentes de pouco amor; o silêncio encarregou-se de os aquecer com a sua música monocórdica. Daqui ouve-se apenas o som do teu respirar. Espero que já estejas a dormir, porque eu… eu estou a sonhar. Como sempre, a sonhar. Estou à tua espera.
Se um dia sonhares o mesmo que eu, espero que me encontres. Estou sentada, com a mesma camisa de lã branca com que brincava quando me empurravas no baloiço. Apesar de não me lembrar de alguma vez o teres feito, eu acredito que isso tenha acontecido. Também tenho trancinhas como aquelas que tinha quando saía à rua e que a memória apagou com um sôfrego e quente bocejo. Eu perdoo-lho; afinal, a memória também tem sono, também se cansa de mim.

Acordaste-me com o abrir estrondoso da porta castanha do quarto. Afinal, não estás em casa. Eu é que estava na rua. Como sempre.

3 comentários:

Mara disse...

«Afinal, não estás em casa. Eu é que estava na rua. Como sempre.»


tocaste-me*

Renata disse...

Está, qualquer coisa, de ... meticulosamente incrivél.

Maria Inês disse...

és linda.

(de nadas. obrigados, eu. :p)