domingo, 29 de março de 2009


Gostava um dia de ir à procura do teu amor: o que nunca me deste mas que sempre quis receber da tua boca, do teu corpo, da tua alma. Em vez disso, continuo a ser a mesma posta gelada de pescada dentro de um saco térmico, não aqueço nem arrefeço quando passas de relance por mim.
Saio. Cá fora a chuva dói-me na cara, provo: é sal. E eu, que julgo sempre estar irremediavelmente seca, acabo sempre por arranjar, sabe-se lá vindas de onde, umas lagrimazitas a mais, no fundo do poço que há dentro de mim. E agora, sento-me no chão. Afinal morre-se bem em qualquer parte. Olho, meço a escuridão e escuto. Escuto com sede, com aquela avidez que não desaparece, mesmo se bebermos toda a água do mar.

10 comentários:

L1MON disse...

como tu própria dizes "um dia nunca mais digo "um dia"."
por isso vai á procura que certamente encontrarás, deixarás de ser então essa pedra de gelo que todos os dias metes no meu ice tea.[]

Qel disse...

«(...) continuo a ser a mesma posta gelada de pescada dentro de um saco térmico, não aqueço nem arrefeço quando passas de relance por mim».
Sou completa/ fã das tuas fortes metáforas.
«E agora, sento-me no chão. Afinal morre-se bem em qualquer parte».
Sem palavras...
*

Paladar disse...

Escreves textos tão bonitos :)

Beatriz Cró disse...

Fugimos?

Joana Éme. disse...

Afinal morre-se bem em qualquer parte. Olho, meço a escuridão e escuto. Escuto com sede, com aquela avidez que não desaparece, mesmo se bebermos toda a água do mar.

A avidez de procurar um amor, mesmo morrendo em qualquer parte.
Adorei este, mais uma vez.

Paladar disse...

Que iludem e desiludem :)

Beijinho Matilde

Danny disse...

todo este texto é pura poesia.

Mintolita disse...

"E agora, sento-me no chão. Afinal morre-se bem em qualquer parte."

E eu sento-me também. Morremos juntas.

Cuca disse...

tão bonito!

Beatriz Cró disse...

e ser fores o meu ar?